Entrevista com um EPPGG
Abr.17, 2008 in
Entrevistas
Pessoal,
Hoje é um dia especial… estou iniciando a série de entrevistas no BLOG !
E para começar de uma forma bem especial, tive a felicidade de entrevistar um EPPGG (Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental), que além da boa vontade em responder as minhas perguntas, ainda teve todo um cuidado em ser objetivo + detalhando as respostas e também pensando naquilo que ele mesmo gostaria de saber se estivesse fora da carreira (fazendo concursos).
Só tenho a agradecer a esse nosso amigo, que está fazendo a parte dele, nos ajudando. Agora falta você fazer a sua, se ajudar e estudar para passar. Espero que gostem !
1) Qual a sua formação Acadêmica?
Vou passar essa, mas posso dizer que há gente com todo tipo de formação na carreira de EPPGG. A formação, no entanto, só facilita o acesso em função da quantidade de matérias a serem vencidas. Teoricamente, é um assunto a menos para estudar, mas ter um curso superior que não tenha relação com alguma das matérias do concurso não é algo que impeça o acesso à carreira.
2) Como foi que você começou a se interessar por concursos públicos? Quem foi seu maior incentivador?
Eu passei a me interessar pelo serviço público em função das dificuldades para me estabelecer no mercado privado, pois a remuneração não era das melhores. O maior incentivo para passar no concurso foram as contas para pagar no dia-a-dia e a vontade de ter uma remuneração proporcional ao preparo pessoal.
3) Como foi a preparação para se tornar um EPPGG? Você teve que estudar muito? Fez algum curso ou estudou em casa?
A preparação para o concurso foi árdua. Eu estudava treze horas por dia, cinco no cursinho e as demais em casa, durante 40 dias seguidos. É claro que o preparo anterior já existia e este período foi o imediatamente anterior às provas.
4) Você já tinha feito outros concursos públicos? Como se saiu neles?
Antes do concurso para gestor, eu tinha feito o preparatório para o concurso da Receita Federal durante cinco meses, mas não passei. Durante o ano e meio seguinte, eu foquei na minha carreira de origem, mas acabei optando por tentar novamente um concurso público em função da remuneração baixa, da dificuldade de me firmar no mercado como autônomo, da falta de segurança, e todas aquelas outras vantagens tão citadas.
5) E passar para EPPGG, um cargo tão cobiçado e disputado, foi a realização de um sonho? Qual foi sua reação após o resultado? E o que mudou na sua vida depois disso?
Passar num concurso desses é, antes de mais nada, uma grande vitória pessoal. Você disputa uma vaga com um grande número de profissionais muito bem preparados, em sua maioria pós-graduados. Além disso, foi-se o tempo que as pessoas passavam num concurso sem preparar-se adequadamente. Passar num concurso público hoje significa estar muito bem preparado, pois seus concorrentes estão estudando há, no mínimo, dois anos.
O resultado foi para mim a abertura de novos horizontes e com a expectativa de poder realizar alguns sonhos. Nesse aspecto, acho que o que mudou foi a sensação de segurança, a "certeza" de que o futuro seria menos incerto do que aquele que me aguardava na iniciativa privada.
6) Alguns concurseiros criam muita resistência em fazer concursos para outros estados, principalmente para a região norte do país. O que você poderia nos dizer sobre a mobilidade do servidor público federal? As transferências de estado são uma realidade no seu ponto de vista, ou encontramos muitas dificuldades ?
Acho que a pessoa que presta concurso para aproveitamento em outro Estado tem que ter em mente que isto significa ficar afastado de suas origens por, pelo menos, dois anos. Inclusive, esse tem sido o entendimento de alguns Tribunais, que vêm negando os pedidos de trasferência de volta para a cidade de origem antes de decorrido o prazo legal para a solicitação de transferência e, em algumas carreiras, essa remoção pode ser difícil. Particurlamente, acho que a pessoa deve, em primeiro lugar, se perguntar se tem o desapego necessário para se afastar de amigos e
família e, caso tenha certeza disso, encarar a vida nesse novo local como uma oportunidade. Não respeitar essas duas premissas pode transformar a vida futura num tormento diário. Todavia, algumas carreiras apresentam maiores possibilidades de realocação e a carreira de EPPG é uma delas.
família e, caso tenha certeza disso, encarar a vida nesse novo local como uma oportunidade. Não respeitar essas duas premissas pode transformar a vida futura num tormento diário. Todavia, algumas carreiras apresentam maiores possibilidades de realocação e a carreira de EPPG é uma delas.
7) E quanto à possibilidade de crescimento na carreira… vocês têm carreira estruturada? O EPPGG mude de nível e seu salário aumenta anualmente, a cada dois anos? Como funciona?
Atualmente são quatro classes, sendo as três primeiras de três padrões (níveis) e a última de quatro padrões, num total de treze padrões com uma pequena diferença de remuneração de um para o outro. A mudança de padrão é automática a cada ano, mas a mudança de classe exige a realização de um curso de atualização na ENAP (Escola Nacional de Administração Pública). No entanto, a estrutura da carreira de EPPGG está em discussão novamente e pode haver uma alteração em breve.
Parece-me que há uma ligeira confusão neste caso. Existem algumas restrições da Secretaria de Gestão para autorizar a transferência de um gestor para outra Unidade da Federação, mesmo que da Administração Direta. O que pode facilitar essa liberação é se a requisição for para assumir um DAS 4 ou superior. O problema é que, normalmente, esses são os cargos mais altos nas unidades regionais, os quais exigem uma indicação política muito forte. De qualquer modo, cada caso é um caso.
9) Vamos falar um pouco da remuneração… Você pode nos revelar quanto ganha um EPPGG (na média e valor bruto)? E como é composta a remuneração (Gratificação, Auxílios Diversos, etc).
Em valores brutos, a remuneração está entre R$ 8.400,00 e R$ 11.700,00. Porém, a remuneração líquida vai depender dos descontos de cada um. A composição é dada parte pelo vencimento básico e parte pela gratificação (numa proporção de 55% para 45%), mais o auxílio alimentação. É um bom salário, levando em conta a remuneração de outras carreiras, mas pode estar muito abaixo do ideal, dependendo do grau de responsabilidade do local de trabalho de cada um.
10) E quanto ao dia-a-dia de trabalho… Como é o trabalho do EPPGG ? (Considerando que o EPPGG faça seu trabalho no órgão central em Brasília na sua função)
No dia-a-dia, o gestor se deparará com questões que envolvem a gestão pública ou o desenho de políticas públicas. O trabalho de EPPGG será muito gratificante dependendo do perfil de cada um e do local de trabalho escolhido. Existem tarefas nas quais se percebe claramente o resultado dos esforços diários na melhoria das condições de vida do cidadão ou da qualidade dos serviços prestados. Para outras, no entanto, esta relação não será tão clara. Porém, tanto num caso como no outro, não existirá satisfação se o futuro servidor não tiver em mente que ele será um "servidor do povo", buscando, antes de tudo, a satisfação do interesse público e, principalmente, se não se sentir gratificado em buscar isso diariamente.
11) E como é o trabalho dos EPPGG que já assumiram DAS no governo (em outros órgãos)?
Basicamente, o trabalho é o mesmo em todos os órgãos. Há uma pequena variação somente no caso das tarefas executadas no Nível Central (Brasília), que são mais ligadas ao planejamento das ações, para aquelas realizadas nos Órgãos Regionais, que são mais ligadas à gestão ou à execução.
12) Bom… para fechar a entrevista… o que você gostaria de dizer a nossos amigos concurseiros?
Apesar das dificuldades existentes na maioria dos locais de trabalho (falta de recursos físicos, falta de recursos humanos de qualidade, cultura própria do serviço público, etc.), acho que valhe a pena. Aqueles que optarem pela carreira pública não esperem "glamour" ou facilidades. Muitas serão as chateações e as decepções, mas, ainda assim, se o interessado possuir o perfil apontado acima, que se prepare e boa sorte.



Abril 18th, 2008 as 1:04
muito boa esta entrevista, indicarei para os amigos pra dá um incentivo, abraços!
Abril 18th, 2008 as 9:03
Valeu Priscila.. eu tb concordo plenamente com vc.. ficou muito boa mesmo… e ainda é extremamente oportuna, já que o concurso do EPPGG está rolando neh ? Mas o sucesso da entrevista está no entrevistado, que nos brindou com um texto de excelente nível e com muito cuidado para esclarecer nossas principais dúvidas…
Abril 18th, 2008 as 9:12
Waldir, parabéns pela louvável iniciativa de promover essas entrevistas esclarecedoras aos concurseiros de plantão. Fica aqui uma sugestão: quando entrevistar um Auditor da Receita, se possível, entrevistar também um antigo Auditor do INSS (atual AFRFB), para que este explicite sobre as diferenças com relação ao dia-a-dia de trabalho e as mudanças ocorridas com o advento da Super Receita. Márcio.
Abril 18th, 2008 as 14:34
Blz Márcio… é uma boa idéia mesmo… vou checar meus contatos para ver se consigo um Auditor do INNS que agora faz parte da Super Receita… valeu !
Abril 18th, 2008 as 19:49
Valeu pela iniciativa da entrevista, por sinal bastante construtiva a primeira de um série que está por vir. Adorei as perguntas bem formuladas, respostas a altura das perguntas. Simplesmente maravilhosa… Aguardo anciosa as próximas. Um grande bjo
Abril 19th, 2008 as 10:04
Valeu Jaque… mas os méritos são do nosso entrevistado, que utilizou uma linguagem clara, objetiva, além de tentar passar com um toque pessoal a sua percepção sobre o assunto… Outras virão.. espero que sejam do mesmo nível…
Junho 22nd, 2008 as 20:34
Bacana a entrevista e a iniciativa do site. Acho revelante conhecer o que dizem pessoas de dentro da carreira…até para que o candidato saiba se é isso mesmo que ele quer.
Junho 23rd, 2008 as 12:58
Valeu Sandra… eu tento fazer sempre o melhor… e essa surgiu meio sem querer…e está sendo muito gratificante… veja tb a entrevista com o pessoal do TRE.. ok ? E como meu blog é bem pequeno em relação a sites famosos… tb tento fazer algo + intimistas… com pessoas comuns… se vc for em um site famoso vai achar entrevistas com verdadeiros nerds.. que estudam se matando… eu faço com pessoas normais… que podemos encontrar na rua… são amigos meus… amigos dos amigos… gente que não foi 1º colocado.. mas foi 200 e entrou… sabe ? boa sorte !
Junho 24th, 2008 as 22:02
Valeu, Waldir! Ótima entrevista! É sempre bom romper a barreira (sobretudo psicológica) entre os concurseiros e os atuais servidores. Agora, amaria saber qual cursinho ela fez, não sei de nenhum, ao menos no RJ e SP. Se puder me enviar uma luz…
Junho 25th, 2008 as 23:09
Fernanda… trata-se de um homem… rsrs. olha.. tenho como saber qual cursinho esse Especialista fez.. mas ele não me autorizou a informar + nada do que está na entrevista… ok ? sobre cursos em sua cidade… começe a pesquisar… procurar em anúncios no jornal… na web… converse com as pessoas.. o que não falta são cursos por aÃ… mas como sou de Salvador… não tenho como indicar. ok ?
Junho 26th, 2008 as 14:30
É…feminismo básico…bem, OK, vou ver o que acho por aqui. Obrigada!